Turismo e commodities devem se destacar com desvalorização do Real

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O Real desvalorizado frente ao Dólar abre oportunidade maior para commodities brasileiras no mercado internacional
A agenda econômica do governo brasileiro de juros baixos ajudou a derrubar o Real frente ao Dólar

A desvalorização do Real frente ao Dólar ganhou corpo na semana passada e assustou quem acompanha as novidades do mercado financeiro. No entanto, se o momento é de cautela para o consumo de bens importados, revela-se ótima oportunidade para a economia, com exportações de commodities brasileiras e o turismo nacional.

Em desvalorização histórica, o Real chegou ao patamar de R$ 4,239 em 26 de Novembro de 2019.

Os juros baixos praticados pelo governo nacional e o câmbio alto vieram para ficar por um bom tempo. Foi o que disse o próprio ministro da fazenda Paulo Guedes, durante visita a Washington na semana passada.

Momento bom para exportações

Mas, nem tudo é motivo para preocupação, ao mesmo passo que as importações de produtos manufaturados tende a ficar mais cara, as exportações brasileiras de commodities deve ser a maior beneficiada do novo câmbio.

Nos momentos onde a moeda nacional esteve em desvantagem frente ao dólar são os momentos onde o volume de exportações brasileiras como soja, trigo, carne, minério de ferro entre outros, ganham maior destaque economicamente.

Se trata de questão matemática básica, com o Real desvalorizado torna-se mais barato para os países mais desenvolvidos, que necessitam de certos insumos para seus manufaturados, comprarem as exportações brasileiras.

Turismo pode se beneficiar com alta do Dólar

Outro setor que deve colher bons frutos é o turismo. O custo benefício pode ser um atrativo a mais para o país.

Todavia existem desafios a serem vencidos nesse setor. O problema do vazamento de óleo na costa brasileira, a violência e falta de infraestrutura adequada para receber turistas, por exemplo.

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Ainda assim, o Brasil possui outras regiões tão atrativas quanto as praias do nordeste. A Região Amazônica deve ser um dos destinos mais procurados pelos estrangeiros, de acordo com informações do Ministério do Turismo.

O Real se reinventa a cada crise econômica

A moeda brasileira já passou por uma série de transformações ao longo dos mais de 20 anos desde o seu lançamento em 1º de julho de 1994.

Para atender necessidades de governos e de crises econômicas mundiais ela sofreu, mas sobreviveu.

Como foi em 2008, com o problema das subprimes do mercado da bolsa de valores americana.

“Quando o Plano Real foi criado e a moeda entrou em vigor, sua taxa de câmbio era fixa. Isso mudou ao longo dos anos, e desde 1999 até hoje ela é chamada de flutuante. Ou seja, o valor do dólar em relação ao Real passou a oscilar de acordo com a oferta e da demanda. Somado a isso existe sempre alguma ação direta do Banco Central brasileiro que faz com que o valor cambial mude”, disse em entrevista para o MundoEmpresa o presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas, (Corecon-AM), Francisco de Assis Mourão Jr.

“Mas, creio que pela agenda declaradamente neoliberal do ministro Guedes o Real nessa faixa atual seja realmente uma tendência a longo prazo no país, visando fortalecer as exportações. Até porque o Brasil vive um momento de recuperação econômica com previsão de crescimento para o ano que vem. O Congresso conseguiu passar a reforma da previdência e está encaminhando a reforma tributária. Isso faz bem para a situação fiscal do país. Somado a isso está a inflação baixa e sob controle do governo” continuou Mourão Jr.

Desvalorização do Real não é artificial

Contudo, não há qualquer indício mais sério de que a desvalorização cambial seja fruto de algum manejo artificial por parte do governo federal, como sugeriu o presidente americano Donald Trump, ao impor sobretaxas às exportações de alumínio e aço brasileiro no início dessa semana.

Sobretudo, por trás da acusação do presidente está a corrida eleitoral de 2020.

Em outras palavras, Trump está ‘jogando para a plateia’ apelando para o America First.

Para Francisco de Assis Mourão Jr, a razão da desvalorização acentuada do Real frente ao Dólar é mais uma ‘casualidade’ da guerra, e a hipótese de desvalorização artificial não tem qualquer fundamento.

“Estamos presenciando uma nova guerra fria, dessa vez entre as duas maiores economias mundiais. Logo, o Brasil sofre as consequências porque é o maior parceiro comercial da China, posto que antes era dos EUA. O Real foi apenas mais uma de tantas outras moedas desvalorizadas nesse processo de guerra comercial”.

De fato, o Real não foi a única moeda que perdeu lastro em relação ao dólar. Logo que o atrito sino-americano teve início, o peso argentino (-36,9), o peso colombiano (-1,9), o Dólar australiano (-1,7), o peso chileno (-6,8) o bolívar venezuelano (-25,2%) e o quacha da Zâmbia (-8,2%), foram algumas das moedas que mais se desvalorizaram, segundo informações da Austin Rating.

Banco Central deve ficar alerta com desvalorização

Sobretudo o problema de se manter a desvalorização do Real por tanto tempo está no consumo interno.

A inflação está sob controle, muito porque o país ainda possui mais de dez milhões de desempregados.

“A população economicamente ativa no país e com poder de compra sempre consome muitos produtos importados. Até porque o Brasil não produz muitos destes bens de consumo. A bem da verdade esse consumo irá ser afetado pela desvalorização, pois as empresas terão de gastar mais para adquirir tais produtos, o que vai ser repassado para o consumidor eventualmente”, continuou Mourão.

Por fim, o presidente do Corecon ressalva que o Banco Central deve tomar medidas pontuais para impedir que o consumo interno seja muito afetado futuramente. E uma desvalorização ainda maior do dólar é praticamente descartada.

“O Brasil tem reservas o suficiente para segurar o Dólar como está. É preciso ter em mente que o país está em um momento bom economicamente, ainda que não pujante. Portanto o Banco Central deve estar alerta para que o consumidor não seja muito afetado a médio e longo prazo”, concluiu.