Renegociação de dívidas cresce e acelera uso da cobrança digital

0
86
Empresas que já haviam digitalizado o processo de cobrança de dívidas conseguiram responder mais rapidamente a este novo cenário
Empresas que estavam segurando a adoção de um modelo digital revisitaram a estratégia
  • Especialista em cobrança digital, Negocie Online, viu renegociação crescer 18% durante os meses de pandemia;
  • Pandemia faz com que empresas de cobrança migrem atendimento para o digital. Empresas que já tinham 50% das negociações realizadas digitalmente saltaram para 67%.
  • Uso de inteligência artificial e chatbots cresce durante a quarentena e taxa de inadimplência cresce desde agosto e deve chegar a 5,44% em outubro; 

Os índices inadimplência aumentaram durante a pandemia e a projeção para os próximos meses é de que a taxa cresça ainda mais. Na contra partida, os índices de renegociação também cresceram mostrando que há solução para a crise. Nesse cenário, as empresas de cobrança têm de se adaptar tanto ao momento quanto ao novo perfil de consumidor em dívida. Uma das grandes apostas é a automatização e uso de inteligência artificial.

Projeção de inadimplência

Conforme o Instituto Brasileiro de Executivos do Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) e o Provar-FIA (Fundação Instituto de Administração), a taxa e inadimplência de agosto está na casa dos 5,37%, (aproximadamente 3,2 milhões de brasileiros). Nos meses de junho a taxa registrada foi de 5,25%, em julho 5,31% e para setembro, a taxa esperada é 5,43%, seguida de 5,44% em outubro. 

Empresas especializadas em cobrança online, já sentiram esse impacto e viram as renegociações de acordos aumentarem 18% durante os meses da pandemia. Além do aumento do endividamento, a pandemia e a decorrente piora na economia e aumento do índice de desemprego, também mudaram o perfil do consumidor inadimplente brasileiro. 

“Temos vários tipos de dívidas e cada uma se comporta de maneira particular. Temos assinaturas de serviços não essenciais que podem ser canceladas com mais facilidade, assim como dívidas de crédito pessoal que o impacto para o devedor é menor. Mas temos contas de consumo, como água e luz, em que o consumidor até atrasa, mas é um serviço essencial. E, ainda, temos até dívidas de um financiamento de carro em que o devedor utiliza para seu lazer ou trabalho. E é diferente o processo de cobrança de dívidas recorrentes e dívidas pontuais. Ainda temos de levar em consideração todo o cenário atual em que as pessoas estão mais sensibilizadas”, explica Luis Ferras, CEO da Negocie Online.

Mudança na maneira de cobrar

Ao contrário de outros países do mundo, o Brasil manteve a possibilidade de se cobrar dívidas durante o período de pandemia e com isso, as empresas de cobrança tiveram de se adaptar tanto ao período de quarentena, que fez com que seus funcionários passassem a trabalhar em home office, quanto ao modo de se fazer cobrança uma vez que o próprio consumidor está mais sensível e assustado.

Bruno Strahm | MundoEmpresa | Conteúdo relevante Houve um aumento no número de uso de inteligência artificial e chat bot na atividade de cobrança de dívidas

“O momento é de uma flexibilização maior de todos os lados onde o credor tem um papel importante para a negociação, mas também por parte do devedor a predisposição de buscar um caminho resolutivo é muito importante”, continuou Luis Ferras.

Digitalização e automação

A adoção de tecnologias para automação e digitalização da cobrança neste cenário mais difícil de recuperação de crédito passa a ser um instrumento importante para baratear o processo como um todo mas não deve ser o grande motivador.

A experiência do cliente em um atendimento digital é possível a partir do uso intensivo de inteligência artificial que nos permita entender o comportamento do devedor e com isto direcionar as ações nas plataformas digitais e de chatbot.