Segundo Marcela Cunha, as startups do AM possuem potencial, mas ainda funcionam no nível de operação, o primeiro de todos os estágios
A elevação deste ecossistema digital para a fase scale-up é importante para a economia local e negócios parceiros (Foto: Leandro Tapajós/ME)

A 2ª Feira do Polo Digital de Manaus reuniu cerca de 20 mil visitantes durante três dias de sua realização, entre 15 e 17 de outubro. O evento, que ressaltou a Industria 4.0 como alternativa econômica para Amazônia, contou com palestras de profissionais de dentro e fora do Brasil e mais de 130 reuniões para prospecção de transações comerciais. A iniciativa quer ajudar a região Norte a se tornar uma espécie de hub tecnológico.

Para o coordenador da Câmara Técnica do Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Estratégico de Manaus (Codese), Ulisses Tapajós, o evento apontou que o caminho a se trilhar, a partir de agora, é o da Industria 4.0: dinâmica, altamente tecnológica, inovativa e sustentável.

“Nós precisamos fazer disso um grande nicho de mercado, que possa gerar renda. Cabe a nós unir investidores, compradores, fornecedores e fortalecer esse ecossistema”, comentou Tapajós ao MundoEmpresa.

Em busca de unicórnios

As startups amazonenses já são uma realidade e movimentam tanto a economia local quanto nacional. Para muitas delas o plano é pensar grande.

A Feira do Polo Digital de Manaus 2019, já deixou saudade em quem participou. Seja como expositor, palestrante ou visitante, quem participou sabe que foi inesquecível. Parabéns a todos e muito obrigado! #manausinteligente #feiradopolodigitaldemanaus2019 #feiradopolodigital2019

Posted by Feira do Polo Digital de Manaus on Thursday, October 17, 2019

Projetos de robótica, soluções inteligentes para problemas urbanos, manejo de resíduos e dejetos para uma cidade mais limpa e sustentável foram alguns  dos projetos que fizeram parte da Feira, que teve como tema “Manaus Inteligente”.

A Feira do Polo Digital teve a missão de incentivar empresários da nova geração, responsáveis pelo próximo pilar econômico.

Cada startup possui potencial para tornar-se um unicórnio, como são chamadas as startups com valor de mercado que superam R$1 bi.

(Foto: Leandro Tapajós/ME) Startups fecharam negócios milionários e prospectaram diversas oportunidades comerciais.

Negócios durante a Feira do Polo Digital

Mais de 130 reuniões foram realizadas durante os três dias da Feira do Polo Digital, para buscar oportunidades de negócios, empregos, investidores ou contato com órgãos governamentais úteis para seu funcionamento.

Em negócios fechados, foram exatamente R$1.948.466,50 milhões e um horizonte de R$24.553.242,00 em prospecção de novas transações comerciais.

“Cadastramos startups que nos mostraram necessidade de networking. Este contato nem sempre é fácil, e através da Feira do Polo conseguimos fazer essa ponte, trazendo órgãos e investidores para sentar junto das startups”, disse Lucas Simões, da Comuny, que preparou junto ao Sebrae um espaço próprio para reuniões.

Qualificação

Apesar do crescimento exponencial do ramo de serviços startup na região, o Amazonas ainda está atrás dos hubs nacionais como São Paulo e Santa Catarina.

Por isso, existe uma verdadeira caça por mão de obra de ciência da computação, tecnologia da informação e engenharia.

“O grande desafio é preparar essa mão de obra para o futuro. Se nós tivéssemos hoje mil engenheiros disponíveis aqui ainda não daria conta da expectativa que é criar uma indústria inovadora e sustentável”, comentou Antônio Azevedo, presidente do Codese.

A empreendedora Luana Lobão é co-fundadora da Testing and Play percebeu que a entrada dos jovens no mercado de trabalho se dá com este cenário extremamente competitivo  e profissional.

Foto: Divulgação A Startup Testing and Play é uma escola que treina alunos e profissionais de tecnologia para seguirem carreira como analistas e engenheiros de teste de software

Este grau de profissionalização obriga o produto passar por uma série de etapas que testam sua performance, segurança e usabilidade antes de ser lançado comercialmente.

“Somos uma escola focada na competência de qualidade e teste de software com vários tipos de treinamento para profissionais de tecnologia que desejam seguir nesta carreira. No mercado de trabalho este tipo de profissional realiza testes manuais ou automatizados para garantir a qualidade do produto”, disse Luana sobre seu ramo de negócio.

“Não são muitas empresas que fazem este serviço aqui. Viemos para nos tornar conhecidos pelas outras empresas, pois todos que estão aqui são nossos potenciais clientes e parceiros”, finalizou.

Feira do Polo Digital – semente para o futuro

Também buscando diminuir a lacuna que ainda existe entre demanda e profissionais disponíveis, há quem aposte na educação em programação e robótica a longo prazo.

“Trabalhando no mercado percebemos que o profissional adulto possui certa dificuldade em tecnologia e enxergamos que este gap vem desde lá de trás. Após realizar algumas oficinas de robótica para crianças, vimos que existe uma procura alta”, comentou Luiz Carlos Junior,sócio fundador da Manaus Tech.

Foto: Divulgação Oficina da Manaus Tech ensina a montar e utilizar o óculos cardboard do Google

Além de aprender a programar, crianças de 06 a 16 anos aprendem também criar apps e jogos, e passam desenvolver tecnologia, ao invés de apenas consumi-la.

“O mercado vai mudar radicalmente no futuro, as competências que nós trabalhamos com essas crianças serão essenciais. A interação dos humanos com a inteligencia artificial será cada vez maior daqui para frente numa escala que não há mensuração”, vislumbrou Luiz Carlos Junior.

Alternativas e novos rumos para o futuro

Com seu modelo de desenvolvimento cada vez mais questionado, a Feira do Polo Digital dá sinais de que o Amazonas busca alternativas à Zona Franca de Manaus.

A chamada Industria 4.0 pode substituir, ou complementar, o PIM (Polo Industrial de Manaus), mas é a mais sustentável se comparada com a mineração e atividades similares.

“A tecnologia é transversal a todas as atividades econômicas. Você não levar em conta os avanços tecnológicos significa disrupção para nossa região, e com certeza,[este] será um segmento relevante num futuro próximo. O desafio é buscar alternativas econômicas disponíveis e esta é uma delas.”, disse Antônio Azevedo.

“Trabalhei numa empresa que fornecia peças para cinescópio de televisores que desapareceu com a chegada da tela plana, fomos obrigados a nos reinventar. A perspectiva é de mudança, as empresas que irão sobreviver são aquelas que acompanham o processo de mudança e que não serão apanhadas de surpresa”, finalizou Tapajós.

Foto: Bruno Strahm/ME 2ª edição da Feira do Polo Digital de Manaus