Banco Credit Suisse anuncia novo CEO e põe fim a escândalo

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O banco Credit Suisse é uma das instituições financeira smais discretas e seguras do mundo, mas foi palo de uma disputa ferrenha entre dois executivos
O banco Credit Suisse anunciou a saída de Tidjane Thiam na cadeira de CEO da empresa

O banco Credit Suisse anunciou a saída de Tidjane Thiam do cargo de CEO da empresa esta sexta-feira (7). Certamente o desligamento do executivo encerra um escândalo que abalou o geralmente reservado mundo de empresas bancárias da Suíça. A história criou polêmica e envolve ambição, briga de vizinhos, perseguição no trabalho, espionagem e morte.

Sendo assim, a cadeira de uma das maiores instituições bancárias do mundo será agora ocupada pelo suíço Thomas Gottstein, que anteriormente ocupava o cargo de negócios domésticos da própria empresa.

Por sua vez, Gottstein é o primeiro suíço a ocupar o cargo de CEO desde que seu compatriota Lukas Mühlemann se retirou em 2002.

Saída programada

O franco-marfinense Tidjane Thiam, de 57 anos, assumiu a cadeira da Credit Suisse em 2015 após passar seis anos na seguradora Prudential, do Reino Unido.

Depois de cinco anos à frente do banco, Thiam acabou tendo problemas com um ex executivo do banco, Iqbal Khan, que terminou largando a empresa pela sua maior rival, a também suiça UBS.

Foram acusações mútuas que culminaram no escândalo de contratação da uma firma de espionagem para seguir os passos de Khan foram alguns dos acontecimentos na polêmica estada de Thiam como CEO da empresa.

O escândalo veio a público em 2019 e revoltou toda a comunidade bancária mundial, mas principalmente a da Suiça que tem como característica principal a confiabilidade e discrição total.

“Eu concordei com o conselho que deixarei o cargo de CEO. Tenho orgulho do que a equipe alcançou durante meu mandato. Nós mudamos o Credit Suisse”, disse o executivo, por meio de nota.

Veja a seguir a cronologia do escândalo.

Estrelas em ascenção 2016 a 2018

Primeiramente os dois homens eram vindos de empresas renomadas.Tanto Thiam, quanto Khan, chegaram à Credit Suisse mais ou menos na mesma época. Thiam chegou em 2012 após ter feito carreira nas seguradoras McKinsey e Prudential. O CEO comandou uma virada de quatro anos no vermelho e entregou o balanço de 2018 com lucro.

Iqbal Khan nasceu no Paquistão e se mudou com a família para a Suiça aos 12 anos e sempre demonstrou aptidão para os negócios, de acordo com a própria família. Em 2013 ele foi admitido na Credit Suisse após passar pela agência de risco e rating Ernst & Young.

O banco Credit Suisse foi palco de uma história de ambição e rivalidade que culminou em escândalo
reprodução Tidjane Thiam e Iqbar Khan foram os principais atores em uma história digna de thriller policial

À frente do setor de gerenciamento de riquezas da Credit, Khan devolveu 80% de lucro e aumentou os ativos do banco em US46 bilhões de 2016 a 2018, conforme noticiou o Financial Times época. Segundo todos que o conhecem, apontam Khan como alguém capaz, inteligente e ambicioso.

A festa da discórdia em 2019

Ter duas estrelas no mesmo time de futebol pode ser a receita de sucesso e glória. Mas dependendo do caso, também pode terminar em um resultado desastroso. O mesmo vale para o mundo empresarial.

Em 2017 Iqbal Khan comprou uma casa para ele e a esposa ao lado da residência de Thiam, à beira do lago de Zurich, na região conhecida como Herrliberg. Tudo estaria bem se ele não tivesse demolido a mesma e iniciado uma construção que se estendeu por dois anos.

O barulho e o constante trânsito de pedreiros próximo de sua propriedade por tanto tempo, logo levaram Thiam à insatisfação e chegou a reclamar do colega para Urs Rohner, diretor executivo do banco, do que ele considerava uma atitude desrespeitosa do colega de trabalho.

reprodução Vizinhos em uma das reigões mais caras de Zurique, na Suiça, os executivos da Credit Suisse entraram em confronto

Desse modo, durante uma festa na casa de Thiam, onde Khan e esposa estavam, houve briga. De acordo com o jornal suíço Tages-Azeiger, uma discussão mais acalorada se desenrolou no meio da festividade e os dois tiveram de ser contidos para não partir para agressões físicas.

O Credit Suisse havia ficado pequeno demais para os dois executivos a partir daquele instante.

Clima insustentável

Após aquele momento, o clima de trabalho na reunião entre a mesa diretora do banco ficou muito difícil. O paquistanês Khan reclamou que estava sendo isolado de atividades a mando de Thiam. Este, por sua vez, não fazia questão de esconder seu descontentamento com o colega.

Para evitar que o transtorno continuasse, foi oferecido a Khan um desligamento amigável da instituição, com direito a bônus e demais vantagens.

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No mês de julho de 2019, Khan alegou falta de espaço na Credit Suisse e estagnação profissional, o que o levou a sair da empresa.

Contudo, o que ninguém contava era que Khan sairia para o segundo maior banco da federação helvética e maior rival da Credit Suisse, a UBS.

Espionagem ao ex funcionáro

Mais adiante, em agosto de 2019 a UBS anunciou que Khan seria o vice-presidente do gerenciamento global de riquezas da empresa. Isso acendeu um alerta nos membros de sua antiga empresa.

Afinal, Khan não era qualquer funcionário, ele tinha acesso a informação sensível que poderia prejudicar a Credit Suisse, ainda mais trabalhando para a concorrência.

Foi então que Pierre-Olivier Bouee, chefe executivo de operações do banco confidenciou a um funcionário do setor de segurança sobre a situação. Ele fez alusão ao seu receio de que Khan iniciasse uma operação de ‘roubo de clientes.

Pierre Olivier-Bouee foi acusado pela auditoria de ser o mandante do caso de espionagem
reprodução Executivo da Credit Suisse, Pierre Olivier Bouee teve o nome diretamente ligado ao caso

Entretanto, o tal funcionário que nunca teve a identidade revelada contratou a Investigo. Trata-se de uma empresa especializada em investigação e espionagem industrial para seguir os passos de Khan de perto.

O trabalho consistia em criar um dossiê contendo informação sobre todas as atividades de Khan como também de todos que ele encontrava, por exemplo.

Dessa maneira, todos na Credit Suisse saberiam se Khan estava de fato ou não roubando clientes.

Outubro de confronto

Após ter sua vida vigiada, Khan passou a desconfiar que estava sendo metodicamente seguido pelos mesmos carros e pessoas há algum tempo. Sendo assim, no dia 17 de setembro de 2019, ele conseguiu confrontar um de seus seguidores e tirou foto da placa de seu carro.

Com o registro em mãos, ele levou a informação à promotoria do cantão de Zurique que juntamente com a polícia iniciou um inquérito para saber o que estava ocorrendo.

Um escândalo e um cadáver

No mesmo mês o escândalo envolvendo a espionagem da Credit Suisse sobre seu ex-funcionário veio à tona. Em outras palavras, isso causou revolta principalmente nos investidores do banco.

“Ambos os lados saem perdendo. Mas especialmente a Credit Suisse. Nós temos que exigir que o CEO venha a público dar uma explicação clara e razoável a toda a situação”, disse uma nota oficial dos maiores investidores do banco ao jornal Financial Times à época.

Para piorar tudo, o funcionário que era o elo entre a empresa e a firma de espionagem Investigo apareceu morto em seu apartamento com sinais de suicídio.

Contenção de danos

Enquanto isso, na tentativa de limpar o nome da Credit Suisse, a mesa diretora contrata uma firma de advocacia para realizar uma auditoria interna e apontar quem foram os responsáveis pelos maus feitos denunciados pela imprensa.

A investigação da Homburger inicia na metade de Outubro de 2019 e vai até o fim do ano. Sendo assim ela apontou Pierre-Olivier Bouee como o principal suspeito e inocentou Tidjane Thiam da acusação de conspiração e maus feitos.

Frente aos fatos encontrados, a empresa soltou a seguinte nota. “A mesa diretora considera a ação de espionar Iqbal Khan errada e desproporcional. Isso resultou em severos danos à imagem da instituição. Com o intuito de proteger o banco, Bouee autorizou tal ação sem o conhecimento de seus pares ou superiores.”

Mais ainda, auditoria não encontrou qualquer evidência de que Khan estaria roubando clientes do banco.

Por fim, Bouee foi demitido imediatamente após a descoberta se sua participação no escândalo.