A conta de luz é um dos itens que aperta o orçamento familiar de muitos brasileiros. A maioria das residências do país utiliza energia oriunda do fornecimento tradicional, mas o número de consumidores que optam por energia sustentável cresce no país. Por isso, surgem novas empresas nesse nicho de mercado. Entretanto, algumas oferecem energia solar por assinatura. 

De acordo com o engenheiro químico, cofundador e CEO da SunnyHUB, Guilherme Corrêa, a empresa já está no mercado desde 2018. Ele explicou ao Portal MundoEmpresa que o diferencial apresentado é “entregar uma energia mais limpa e mais barata para o consumidor, sem que ele precise comprar os equipamentos”. 

“Nosso modelo é pioneiro no Brasil justamente por tirar a barreira de acesso da maioria que é a de ter de pagar caro por um sistema fotovoltaico para gozar dos benefícios da energia sustentável. Invertemos a lógica e enxergamos a energia solar como um serviço, assim como as concessionárias. Em vez de comprar e pagar por equipamentos caros, propomos instalar os equipamentos na casa do cliente e fornecer energia limpa e mais barata. Principalmente, tirar qualquer dor de cabeça como manutenção e monitoramento do sistema”, disse. 

Conta de luz mais barata 

Na maioria dos casos, a proposta das empresas que atuam com a energia solar é de desconto no valor gasto com a conta de luz, independente se o sistema for o de “energia solar por assinatura” ou se o consumidor comprar equipamentos próprios. Frente ao cobrado pela distribuição tradicional, o objetivo é reduzir os custos mensais.

De qualquer modo, a SunnyHUB opta por realizar um projeto individual para a realidade de cada residência.

“Calculamos a demanda de energia do cliente, vemos o que será necessário para suprir o seu consumo e montamos uma proposta. A proposta será quanto custará a mensalidade do serviço. O custo com eletricidade do consumidor tende a cair 20% no primeiro ano e as economias vão se acumulando conforme a energia tradicional está encarecendo velozmente”, informou Corrêa.

Plano de crescimento 

Com a estratégia, a empresa espera fechar este mês com 50 clientes. Já a meta para 2020 é concluir o ano com 1000 assinaturas.

“Hoje a empresa atua na região de Porto Alegre, capital da Rio Grande do Sul. Projeta-se expansão para outros estados no futuro próximo”, revelou o CEO. 

Investidores 

Além dos contratos diretos, a SunnyHUB ainda busca por investidores para crescer. A companhia, fundada no segundo semestre de 2018, está cadastrada em uma plataforma digital que permite investir no negócio. Como explica Corrêa:  

“Até o momento a empresa foi fundada e desenvolvida com recursos próprios. Agora resolvemos estender a possibilidade de mais pessoas poderem investir nesse negócio que tem um potencial incrível. Pelo apelo, e para permitir que mais pessoas possam ter a oportunidade, decidimos por fazer uma rodada pública/equity crowdfunding. Nesse modelo, vários perfis de investidores podem aportar e também serem donos do negócio e ter um percentual da empresa. Qualquer pessoa pode acessar a plataforma da Cluster21 (onde está a nossa rodada), olhar nosso material e decidir por investir algum valor a partir de R$500. Conseguimos ultrapassar a marca dos 50% e em breve a rodada será concluída”.

Empresas de energia solar no mercado

Além da SunnyHUB, há outras empresas que atuam na área de energia solar. Podemos citar entre elas: 

  • Renova Green;
  • Expertise Energia Solar;
  • ENGIE Geração Solar Distribuída;
  • Empresa Brasileira de Energia Solar (EBES);
  • Vilco.
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Cenário atual

De acordo com o  levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre as macrotendências mundiais até 2030, haverá aumento na demanda por energia em escala global. 

O relatório aponta ainda que o  Brasil pode investir em fontes de energia como a Eólica, Fotovoltaica, Hidroelétrica, Biomassa e resíduo, além das fontes não renováveis. 

“O país praticamente ainda não utiliza energia solar. Com redução nos custos da tecnologia, é uma oportunidade”, cita trecho do levantamento sobre as macrotendências.

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Placas para energia solar (Foto:Soninha Vill/GIZ)
Soninha Vill/GIZ

Somando-se a busca por conta de luz mais barata e uma maior consciência ambiental da população, há um nicho crescente de mercado que busca soluções de captação mais sustentáveis.  

Mesmo com a gama de opções de fontes de energia e a predominância das distribuição tradicional, consumir o que é gerado pelo sol pode se tornar um hábito nas residências pelo Brasil. 

“A experiência internacional já está demonstrando isso.  Locais onde a energia é cara e há bastante incidência solar, a penetração solar é muito significativa. No Havaí, por exemplo, energia solar abastece mais de 30% das residências. Na Califórnia, espera-se que até o fim dessa década a penetração chegue a 35% das casas. No Brasil, a energia está entre as mais caras do mundo e o potencial solar é extremamente abundante”, aponta Corrêa.